Entre os dias 23 e 26 de julho, 130
universitários de São Paulo, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do
Norte e Distrito Federal simularam o trabalho de um parlamentar de verdade
durante o Politeia, projeto do Instituto de Ciência Política da Universidade de
Brasília (UnB), em parceria com a Câmara. Os estudantes analisaram 140
proposições e, ao final do encontro, aprovaram 3 delas em Plenário.
A
proposta mais polêmica aprovada é que a descriminaliza o plantio, o comércio e
o uso da maconha e dos produtos derivados dela. Foram 62 votos a favor, 7
contra e 1 abstenção.
A
estudante de Direito Isabela Patriota, da Universidade Federal do Rio Grande do
Norte, simulou ser uma deputada do PT no Politeia. Ela votou a favor da
proposta. Países que já permitiram o uso da maconha começaram pelo passo da
descriminalização e, depois, assumiram a postura de permitir o uso
regulamentado, com a maconha devidamente limpa, com substâncias que possivelmente
são mais psicotrópicas reduzidas. [Nesses países] o uso diminuiu e não houve um
dano considerável para a sociedade, disse Isabela.
Ao
pedir a rejeição do projeto, Gabriel dos Santos afirmou que a maconha é a porta
de entrada para outras drogas. “Existem, inclusive, estudos que apontam a
maconha como causadora de câncer de testículo e outros cânceres. Eu,
particularmente, não veria esse projeto com maus olhos se ele falasse apenas da
maconha como uso medicinal. Mas, da forma com que ele foi elaborado, o voto
tinha que ser contrário.
Invasão
de terras e orgânicos
Os
estudantes também aprovaram projeto que cria a Política Nacional de Combate às
Invasões de Terra. O objetivo é tentar impedir ações criminosas contra as
propriedades rurais e punir os responsáveis por invasões de terras.
O
outro projeto aprovado exige que 10% dos alimentos a serem comprados pelas
escolas com dinheiro do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação sejam
provenientes da agricultura orgânica.
Atuação
parlamentar
Jovens
que atuaram no projeto Politeia afirmaram que a visão sobre o trabalho dos
parlamentares muda depois de participarem da simulação.
Eleito
pela segunda vez como presidente da Câmara dos Deputados do Politeia, o
estudante de Ciência Política da Unb André Tadeu Moreira, de 22 anos,
representou o PSDB no evento. Para ele, o projeto diminui o preconceito que
existe em relação aos parlamentares.
A
principal lição é que a vida de deputado não é fácil, igual ao que a gente
imagina que seja: trabalha três dias por semana só, que não faz nada na Câmara
- mas não é. Tem tanta coisa. Você fica correndo de um lado para o outro o
tempo inteiro, tem muito projeto passando em várias comissões. Por mais que
você seja membro de uma comissão, você tem interesse em outros projetos, então
é uma correria. Fora as demandas que os deputados têm que ouvir das suas bases
eleitorais, disse André Moreira.
A relações
públicas Déborah Achcar, chefe do Serviço de Programas Institucionais e
Relacionamento com a Comunidade da Câmara, espera que, no próximo Politeia, a
Câmara possa custear a vinda de pelo menos um estudante de cada estado, para
haver uma representatividade maior. Os jovens que participaram desta edição do
projeto bancaram as suas despesas.
Fonte:
Câmara dos Deputados Federais
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