O juiz Denilson Bandeira Coêlho,
titular da 4ª Vara do Trabalho de Brasília, condenou a SBF Comércio de Produtos
Esportivos Ltda. - conhecida como Centauro - ao pagamento de R$ 100 mil de
danos morais coletivos realizar revista íntima em empregados. A decisão foi dada na ação civil pública
movida pelo Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT10), que comprovou
a prática de revistas diárias por meio de apalpações, desnudamentos ou
determinação de retirada ou levantamento de roupas.
Em sua defesa, a Centauro alegou que adota somente a revista de
bolsa de seus empregados, conforme previsto no acordo coletivo da classe. A
loja de produtos esportivos sustentou ainda que seus trabalhadores são
pré-avisados do procedimento de revista no momento da admissão. Segundo a
empresa, a conduta está pautada no direito à propriedade e no poder diretivo do
empregador, garantidos constitucionalmente.
Para o magistrado responsável pela sentença, se por um lado a
reclamada deve preservar a privacidade, a intimidade, a honra e a imagem de
seus empregados, estes, por outro lado, também devem se pautar por um
comportamento idôneo, em respeito às relações de trabalho. “Assim, diante de ocorrências
de furtos, o empregador pode exercer o seu poder de comando e disciplinar,
todavia dele não pode abusar, submetendo seus empregados a práticas vexatórias
e humilhantes”, explicou o juiz do trabalho.
Ainda de acordo com Denilson Bandeira Coêlho, a revista tão
somente dos pertences pessoais dos empregados, como bolsas, sacolas, mochilas
ou armários não se constitui em abuso de direito. “A revista de objetos
pessoais não se apresenta ilegítima e decorre naturalmente do contexto social
em que vivenciamos atualmente, constituindo-se em prática a qual se submete
qualquer cidadã, não somente nas relações de trabalho, mas também no cotidiano,
por exemplo, em grandes eventos, aeroportos, instituições financeiras etc.”,
argumentou o magistrado.
No entanto, na opinião do juiz do Trabalho, só é permitida a
revista visual, sem contato físico, por pessoa do mesmo sexo, em bolsas ou
qualquer outro porta objetos dos trabalhadores que estiverem nas dependências
das lojas. A revista íntima é vedada pelo artigo 373-A, inciso VI, da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e no artigo 5º, inciso I, da
Constituição Federal. “Destaco, ainda, que a determinação de utilização de
outros métodos de fiscalização pela requerida, tal como a instalação de
câmeras, inexistindo imposição legal nesse sentido, constitui-se em ingerência
no poder diretivo do empregador”, completou.
O magistrado concluiu que houve de fato prática diária de
revistas íntimas ocorridas em todas as unidades da Centauro, expondo a
intimidade do empregado e ofendendo seus direito à privacidade. Segundo
Denilson Bandeira Coêlho, a indenização por danos morais coletivos arbitrada
preenche os requisitos: “a lesividade a determinado conjunto de bens e valores
transindividuais de conteúdo moral, o nexo de causalidade e a culpa
empresarial, de cujo ônus se incumbe a parte postulante pela divisão clássica
do ônus da prova”, pontuou o juiz. O valor da indenização será revertido ao
Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). rocesso nº 0001506-78.2012.5.10.0004
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região
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