As
novas regras para distribuição do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre produtos comprados pela
internet, no chamado comércio eletrônico (e-commerce), só serão
apreciadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na
próxima quarta-feira (2). O adiamento interessa aos estados do Sul e
Sudeste, que dominam essa arrecadação devido à concentração das empresas
de e-commerce nas duas regiões.
A
votação da PEC que trata do tema estava prevista para hoje (25) na
comissão, mas foi transferida graças a pedido de vista do senador Aécio
Neves (PSDB-MG). O adiamento também estava sendo articulado pela bancada
de São Paulo - Aloysio Nunes Ferreita (PSDB), Marta Suplicy (PT) e
Eduardo Suplicy (PT). Com esse objetivo, Suplicy ainda apresentou
requerimento para realização de audiência pública antes da votação da
PEC, sob a justificativa de debater a matéria com especialistas.
São
Paulo é o estado que mais perderia dinheiro com as novas regras, uma
vez que a maior parte de empresas e lojas de comércio eletrônico estão
sediadas lá, de acordo com o relator da PEC e líder do PMDB, Renan
Calheiros (AL). O comércio eletrônico cresceu 34,6 vezes nos últimos dez anos, alcançando faturamento de R$ 18,7 bilhões em 2011.
Em
seu parecer, Renan Calheiros, defende que, na hipótese de uma alíquota
média de 17%, a partilha do imposto seja de 7% para o estado de origem
(onde estão sediadas as lojas virtuais) e 10% para os estados
compradores, de destino da mercadoria, redistribuindo o bolo da
arrecadação.
A
regra proposta pelo relator valerá quando as transações comerciais
envolverem estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste em
operações com os demais estados. Como a maioria das lojas virtuais está
sediada no Sul e no Sudeste, Calheiros argumenta que, se for mantida a
atual regra de arrecadação do ICMS, os estados dessas regiões mais ricas
vão continuar retendo todo o imposto oriundo das transações comerciais
eletrônicas.
A
fórmula constitucional atual permite tal anomalia, ao determinar a
incidência da alíquota interna, geralmente elevada, em operações
envolvendo mercadorias destinadas a compradores não contribuintes do
imposto e localizados em outro estado, explicou o relator.
O
Brasil ocupa atualmente o quinto lugar entre os 20 países com maior
número de pessoas conectadas na rede mundial de computadores - 75,9
milhões (37,4% da população) -, do Japão, da Índia, dos Estados Unidos e
da China. O levantamento foi feito pela assessoria do PT no Senado, com
base em dados de institutos governamentais e não governamentais
vinculadas ao setor.
O
aumento dos valores captados pelas lojas virtuais, no e-commerce, de R$
540 milhões, em 2001, para R$ 18,7 bilhões, no ano passado, comprova
que os brasileiros têm se mostrado cada vez mais à vontade diante da
vitrine virtual da internet. O valor dessas transações comerciais no ano
passado não leva em consideração vendas de automóveis, passagens aéreas
e leilões online.
Só
nas compras de Natal de 2011, último ano do levantamento, o faturamento
das lojas virtuais, no período de 15 de novembro a 23 de dezembro,
somou R$ 2,6 bilhões. Esse valor representou um incremento nas compras
pela internet de 18% se comparado ao mesmo período de 2010.
Fonte: Agência Brasil
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