A
presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária ), senadora
Kátia Abreu (PSD-TO), disse à Folha que a reforma do Código Florestal
aprovada na noite desta quarta-feira (25) pela Câmara não pode ganhar o
rótulo de lei ruralista.
Para
a senadora, o texto mostra que o Congresso escolheu o caminho da
produção agropecuária sustentável. Não houve vencedores nem vencidos.
Questionada
sobre a expectativa de veto da presidente Dilma Rousseff, Katia disse
que ainda precisa avaliar melhor o resultado da votação, mas defendeu a
manutenção da matéria.
Vamos
aguardar um pouco mais para avaliar o resultado. Mas ninguém poderá
afrontar a vontade do Congresso. Não foi um debate de surpresa,
precipitado. Se fizemos uma reflexão, o novo código é a única reforma
que o Brasil conseguiu fazer, afirmou.
E completou: Não foi uma lei debatida por um segmento. Foi uma discussão de 100% do Congresso.
Para
ela, o novo texto credencia o Brasil para direcionar os debates da Rio
+20, em junho, conferência de desenvolvimento sustentável das Nações
Unidas.
O
Brasil é o único país do mundo que tem autoridade moral para discutir
questões ambientais, pois além de ser um dos maiores produtores de
comida, preserva 61% de seus biomas, completou.
O
texto aprovado ontem atende uma série de reivindicações da bancada
ruralista e não agrada ao Palácio do Planalto nem aos ambientalistas. O
governo defendia a manutenção do projeto aprovado em dezembro pelo
Senado, que considerava menor prejudicial ao meio ambiente e por colocar
uma trava na chamada anistia, ao estabelecer faixas de recomposição de 15 m a 100 m dependendo da largura do rio. O projeto final determinou, no entanto, recomposição apenas de 15 m nas margens dos rios.
A
expectativa é que a presidente Dilma Rousseff vete boa parte do texto
da Câmara, em particular os dispositivos que cedem demais ao agronegócio
e reduzem a proteção às águas brasileiras.
Hoje,
a Comissão de Meio Ambiente da Câmara realiza audiência com
especialistas para debater o impacto das novas regras. O deputado Sarney
Filho (PV-MA) disse que, diante dos pontos, só resta esperar o veto de
Dilma.
Presidente
da Comissão de Meio Ambiente do Senado, o senador Rodrigo Rollember
(PSB-DF), disse que a Câmara descumpriu um acordo fechado em torno da
matéria aprovada pelo Senado no ano passado e que o resultado representa
um retrocesso na legislação ambiental. Esse texto não atende as
necessidades do Brasil.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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