quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Após sessão de 36h, vereadores aprovam cassação de Vilagra


Prefeito foi à Tribuna se defender, mas foi vencido por 29 votos; Serafim Júnior assume

21/12/2011 - 22:31
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Atualizada às 23h
Por 29 votos a 4, o prefeito Demétrio Vilagra foi afastado do cargo na noite desta quarta-feira (21) após uma sessão extraordinária de 36 horas na Câmara de Campinas. O petista será substituído pelo presidente do Legislativo, Pedro Serafim Júnior (PDT), que fica na prefeitura por até 90 dias e deve convocar novas eleições na cidade. O Decreto Legislativo do afastamento será publicado no Diário Oficial do Município de segunda-feira (26), quando acontece oficialmente a troca no cargo. A defesa do prefeito afirmou que vai recorrer da decisão.
Investigado pela Comissão Processante (CP) por suspeitas de fraudes em contratos da Sanasa, Vilagra foi à Tribuna antes da votação para falar que é inocente e ressaltar sua condição de homem honesto. Ele assumiu o Executivo após a cassação de Hélio de Oliveira Santos (PDT), em 21 de agosto, após o escândalo político que levou para a cadeia integrantes do primeiro escalão do governo municipal.
Leituras, críticas e defesas
A cassação de Vilagra foi votada após a leitura do relatório final de 1440 páginas da CP, que começou às 9h53 de terça-feira (20) e terminou às 18h36 desta quarta. Na segunda parte da sessão, o próprio Vilagra fez sua defesa, que teve a ajuda de seus advogados. Dos 33 vereadores da Casa, 11 utilizaram seus 15 minutos de direito na Tribuna para defender e criticar o pedido de cassação.
O primeiro vereador a falar foi Carlos Signorelli (PT). Disse que não há provas contra Vilagra e o que se vê é "uma grande injustiça. Em seguida, O Politizador (PMN) ocupou a Tribuna e disse que concorda com a presidente Dilma, em não admitir corruptos no governo. Arly de Lara (PSB) relembrou o ano difícil da Câmara e lembrou que "o relatório precisa ser respeitado". Jorge Schneider (PTB) foi o quarto a falar, citou as três formas de pecar e afirmou que "como prefeito, (Vilagra) deve ser punido porque foi omisso. Professor Alberto (DEM) falou em nome do partido e disse que gostaria de "mais detalhes" das investigações.
Gilberto Cardoso Vermelho (PSDB), o sexto inscrito para falar, lembrou que a administração é de Dr. Hélio (cassado) e Vilagra e que, por isso, defende a cassação. Sérgio Benassi (PCdoB) fez duras críticas ao relatório final e à pressão sobre os vereadores para que façam um "julgamento político e administrativo". Dr. Élcio Batista (PSB) ocupou seu tempo na Tribuna para falar que ele e seu partido votarão com consciência e não "direcionado com compromisso de a ou b". Luiz Lauro Filho (PSB) falou de sua família, de igreja e até citou Martin Luther King, mas não tocou no assunto relatório ou cassação - ele é suplente e substitui o vereador Valdir Terrazan (PSDB), impedido de participar da sessão por ter sido o autor do pedido de abertura da CP.
Jairson Canário (PT) fez um discurso inflamado na defesa de Vilagra e disse ter orgulho do partido que o tirou de uma ocupação para ser vereador em Campinas. Josias Lech, também do PT, também foi incisivo na defesa do prefeito e citou várias vezes o "pré-julgamento estabelecido pela CP".
Vilagra fala
O prefeito subiu à Tribuna para sua defesa às 20h34, após o discurso dos 11 vereadores. Lendo cada palavra do discurso, lembrou da infância sofrida com a família, da trajetória sindical e política, até chegar à chefia do Executivo, após a cassação de Dr. Hélio. "Como prefeito desta cidade estou trabalhando muito, com transparência e dignidade". Voltou a taxar de peça de ficção o relatório final da CP, "que extrapola a razão e o bom-senso". Criticou o MP, "que não é Justiça", a oposição política e citou alguns feitos de sua breve administração, como verbas para obras do PAC, entrega de casas populares e aumento do efetivo da Guarda Municipal.
Vilagra teve de interromper seu discurso por três minutos por conta das vaias da plateia. Chegou a dizer que o ano de 2012 pode ter uma "interminável batalha judicial", no caso de sua cassação. Na avaliação dele, seria uma "grave ameaça a Campinas", que ficaria com o governo travado. Chamou de "pilantra confesso e ladrão mentiroso" o ex-presidente da Sanasa Luiz Aquino, delator do esquema de corrupção na administração municipal. Por fim, pediu para que os vereadores tirassem o manto partidário para poder votar contra a cassação, porque não há nada contra ele.
Após 31 minutos do discurso de Vilagra, o advogado dele, Hélio Silveira, assumiu a defesa oral. Disse que sua função ali era dar subsídio para que os vereadores votassem segundo critérios técnicos do processo, não político. "O julgamento é político, mas não pode estar dissociado do que está nos autos", explicou Silveira. O outro advogado de Vilagra, Fernando Neisser, também fez o uso da palavra para apontar as falhas que viu no processo da CP. 
Plateia
O número de pessoas que acompanham a segunda parte da sessão aumentou em relação ao processo de leitura do relatório. Por volta das 19h, o espaço reservado para o público estava lotado. A Guarda Municipal faz a segurança do plenário, também restringiu a entrada de faixas, cartazes e apitos.

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