sábado, 28 de maio de 2011

Povo espera punição para envolvidos em denúncias


Muitos lamentam o fato de um governo eleito por duas vezes consecutivas ser alvo de investigações de possível atos de corrupção


28/05/2011 - 09h10 . Atualizada em 28/05/2011 - 11h48 
Fábio Serapião   






Pessoas acompanham noticiários no Centro de Campinas
(Foto: Augusto de Paiva/AANUma semana após a megaoperação do Ministério Público Estadual (MP) implodir o núcleo do governo Hélio de Oliveira Santos (PDT) — ao prender 11 envolvidos em um suposto esquema de fraudes na Prefeitura e na Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A. (Sanasa) e decretar a prisão de outros nove —, a população campineira aguarda o desenrolar das investigações e espera rigor na punição dos envolvidos. Nas ruas, praças, bares da cidade e durante o bate-papo entre amigos a revolta com o possível envolvimento da cúpula do governo em crimes de corrupção agora dá espaço às reflexões sobre o futuro da cidade e dos representantes do povo que ocupam o Palácio dos Jequitibás.
Para compreender qual o sentimento da sociedade e qual a postura da população perante as investigações que se desencadeiam na Justiça, a reportagem do Correio conversou com estudantes, aposentados, comerciantes de diversos bairros e regiões da cidade. Até sexta-feira (27/05), as denúncias que abalaram o cenário político campineiro fizeram o coordenador de Comunicação, Francisco de Lagos, e o secretário de Segurança Pública, Carlos Henrique Pinto, serem exonerados e o da pasta de Urbanismo, Hélio Jarretta, pedir demissão. Além disso, o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), foi detido após retornar de suas férias na Espanha. Ele foi solto ontem.
“Os acontecimentos dos últimos dias são um marco para o povo campineiro. Agora, a população tem que ter a lucidez para refletir sobre o futuro da cidade”, afirmou o ex-professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Antônio de Pádua Bafero, de 63 anos. Para ele, o trabalho desenvolvido pelo Ministério Público (MP) é um incentivo para a população que cultiva uma cultura de não obediência às leis e acredita na impunidade predomina em casos envolvendo políticos e grandes empresários. “É hora de refletir, voltar lá trás e entender os erros que foram cometidos para que se possa criar um pensamento que não permiti esse tipo de uso do poder”, disse.
Enquanto algumas pessoas projetam as possibilidades para o futuro, outros lamentam o fato de um governo eleito por duas vezes consecutivas ser alvo de investigações de possível atos de corrupção. É o caso do comerciante João Paulo Marquez, de 44 anos, eleitor do atual prefeito e grato pelas melhorias que, segundo ele, foram feitas na cidade ao longo dos quase oito anos de governo. “É ruim para a população, que já anda um pouco desacreditada dos políticos”, aponta ele, ao afirmar que a melhor forma de se consertar os possíveis erros cometidos é com a devolução de todo dinheiro supostamente desviado para os cofres públicos.
Dominante entre os campineiros é o pensamento de que as investigações que agora seguem não podem interferir no dia a dia da população e do poder público. Para o aposentado Arthur Badan, de 52 anos, morador da região central, a Justiça está fazendo a parte dela e, portanto, a administração pública não pode parar enquanto aguarda as devidas punições. No entendimento dele, para que casos como esse não voltem a acontecer na cidade, é preciso que a população faça sua parte e denuncie toda e qualquer ação que lhe pareça ilegal.


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