Os agricultores que trabalham com o cultivo do tabaco
no Rio Grande do Sul pediram nesta quinta-feira (14) ao governo, durante
audiência pública na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e
Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, que seja suspenso o processo de
notificação das suas propriedades pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Eles
também solicitaram aos parlamentares que modifiquem a legislação vigente para
que seja criada a figura do diarista rural, assim como existe o diarista no
emprego doméstico.
Segundo o deputado
Luis Carlos Heinze (PP-RS), os agricultores estão sendo notificados por
descumprimento da legislação trabalhista ao não formalizarem a relação de
emprego dos diaristas que fazem a colheita e ao não cumprirem uma norma do
Ministério do Trabalho (NR 31/05) que trata da segurança e saúde do trabalhador
rural. O parlamentar explicou, porém, que a maior parte das propriedades são
pequenas e, muitas vezes, o trabalhador presta serviços para cinco ou cinco
patrões diferentes por semana.
O auditor fiscal do
Trabalho Alexandre Scarpelli informou que, até agora, não foi emitido nenhum
auto de infração. Os agricultores estariam apenas sendo notificados das
irregularidades. Ele disse ainda que a norma do ministério busca garantir
direitos como banheiro para os volantes e afirmou que a regra foi discutida em
comissão tripartite com a participação de proprietários e de trabalhadores. De
fato, ela [a norma] tem alguns dispositivos de difícil aplicação, mas nada
daquilo é impossível de ser aplicado. Não podemos deixar que o lucro de um
empresário ou o avanço de uma região sejam conquistados em detrimento da saúde
do trabalhador”, declarou.
Para o deputado
Sérgio Moraes (PTB-RS), o Congresso Nacional não pode deixar outros órgãos
fazerem o seu trabalho: o Parlamento tem de tirar o poder dessas portarias.
Temos que começar a legislar por aqui.
Direitos
O diretor de
Benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Benedito Adalberto
Brunca, destacou que, até 2010, o trabalhador rural pode comprovar seu tempo de
serviço sem a necessidade de comprovar as contribuições. Hoje ainda vigora uma
regra de transição até 2020.
A partir
daquele ano, porém, o trabalhador terá que ter a contribuição mensal se quiser
receber benefícios como a aposentadoria.
Audiência pública
sobre as notificações emitidas pelo Ministério do Trabalho junto aos
agricultores e, especialmente, aos produtores de tabaco no Estado do Rio Grande
do Sul. Auditor-fiscal do Trabalho e Coordenador do Projeto de Fiscalização
Rural da Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e
Emprego/MTE, Alexandre Scarpelli
Scarpelli lembrou
que, além da aposentadoria, o trabalhador formalizado tem outros direitos como
o FGTS. Ele sustentou ainda que o diarista rural não tem a mesma característica
do doméstico porque a propriedade rural visa ao lucro. Na avaliação do
presidente da Câmara de Vereadores de Venâncio Aires (RS), Telmo Kist,
entretanto, a realidade é outra: não estamos tratando de empresário; mas, sim,
de um pequeno agricultor que luta pela sobrevivência e que plantou algo e
precisa colher naquele dia.
O representante do
Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul, Rogério Fleischmann,
alertou que os agricultores que não são empresas têm a opção de contratar pessoal
por meio de um consórcio rural de empregadores.
Mudança na legislação
Os integrantes da
Comissão de Agricultura presentes à audiência disseram que outras culturas,
além do tabaco, estão sendo atingidas e, portanto, a legislação deve ser
revista logo. Alguns também citaram a necessidade de modificar a regra atual
que não permite o trabalho rural antes dos 18 anos.
Fonte: Câmara dos
Deputados Federais
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