O presidente da Associação dos Fabricantes de
Refrigerantes do Brasil (Afrebras), Fernando Rodrigues de Bairros, reclamou da
política tributária brasileira existente no setor dos refrigerantes, que
considera injusta, “quase criminosa para os pequenos fabricantes”. Segundo ele,
é a pior que existe no cenário brasileiro e mundial.
Ele argumentou,
durante audiência pública para discutir o futuro da Indústria Nacional dos
Refrigerantes, promovida pela Comissão de Desenvolvimento Econômico Indústria e
Comércio nesta terça-feira, que existe uma inversão no setor, onde o pequeno
empreendedor paga em torno de 46% de tributação efetiva enquanto o grande, 16%.
Concentração no setor
Segundo Bairros, isso
acontece porque existe uma conspiração para que os pequenos paguem mais
tributos. Ele ressaltou que as duas grandes empresas, Coca-Cola e Ambev, detém
84% do mercado, mas a renúncia fiscal delas em 2013 chega a aproximadamente R$
7 bilhões.
O deputado Guilherme
Campos (PSD-SP), integrante da Frente Parlamentar Mista da Micro e Pequena
Empresa, que pediu a audiência, concordou com Barros. “A briga é desigual, nós
não podemos aceitar que haja um tratamento tributário diferenciado em favor
dessas mega corporações que dominam o mercado. O que está acontecendo é um alto
índice de mortandade das empresas por causa dessa desproporção tributária”,
disse.
De acordo com a
associação, no final dos anos 90 existiam 850 indústrias, enquanto, hoje, estão
presentes no mercado menos de 200. “O consumo dos brasileiros, porém, não
diminuiu”, acrescentou Fernando Bairros.
Ainda segundo a
associação, o segmento de refrigerantes regionais, por sua vez, é composto por
cerca de 180 pequenas empresas, organizadas, em sua maioria, por meio de um
modelo familiar de administração. A participação de mercado delas, porém, é
muito pequena: em termos de faturamento não atinge 7% se forem analisadas de
forma agregada todas as empresas regionais.
Guilherme Campos
também argumentou que, há pouco tempo, a argumentação da Receita Federal para
um tratamento de tributação desproporcional era de que havia uma sonegação
grande no setor. Segundo ele, porém, com a implantação de novos sistemas de
medição para a implantação de novos sistemas de fiscalização, a sonegação
acabou e tudo que é produzido é tributado.
Inovação
A coordenadora-geral
de Agronegócio do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio, Rita
Milagres, disse que o Brasil tem um grande potencial para o setor. Segundo ela,
o País é o 13º em consumo per capita de refrigerante, com 84
litros por
habitante/ano.
Ela citou um estudo
da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que apresentou as
tendências do consumidor brasileiro no mercado de refrigerantes para 2020.
Segundo o estudo, o
consumidor está mais sofisticado, é influenciado por marcas, variação de
sabores, embalagens diversificadas, entre outros.
Para Rita Milagres, o
setor é um desafio para o governo. “Existem, porém, recursos para proporcionar
competitividade das pequenas empresas. Precisamos pensar em desenvolver ciência
e tecnologia para o setor. Desenvolver novos produtos, processos e embalagens.
Precisamos oferecer coisas novas e temos condições para isso”, disse.
Guilherme Campos
alegou, porém, que não é possível colocar em prática os desejos do ministério
se a política tributária não for alterada. “Se nós não tivermos um tratamento
tributário que garanta o resultado, a rentabilidade no setor, não tem como
inovar, não tem como ir para frente. O futuro pode até ser brilhante para quem
se diferencia, para aquele que acha nichos de mercado, mas antes são
necessárias outras medidas”, argumentou.
O presidente da
associação ressaltou que as pequenas empresas têm coragem para trabalhar,
investir e inovar. “Nosso problema está na tributação que impede inovação. Um
associado nosso criou uma embalagem diferente de alumínio com pet, mas ele
desistiu porque a tributação o impediu. Os grandes têm medo porque se a
tributação mudar, as pequenas empresas serão mais competitivas”, concluiu.
Novos debates
Os debatedores
defenderam nova audiência, agora, com o Conselho Administrativo de Defesa
Econômica (Cade), o Ministério Público Federal, a Receita Federal e associações
de supermercados. Campos disse que fará novo requerimento para convidar os
órgãos.
Fonte: Câmara dos
Deputados Federais
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