O presidente da Câmara, Marco Maia, busca um acordo para votar o projeto do marco civil da internet (PL 2126/11) nesta semana. A proposta, que estabelece direitos e deveres de usuários e provedores de conteúdo na internet, está na pauta do Plenário, mas a votação foi adiada várias vezes durante o mês de novembro.
Na última reunião com os líderes partidários, Marco Maia
informou que três partidos ainda discordam de pontos do projeto: o PSD, o PTB e
o DEM. Maia, no entanto, não desistiu de votar a matéria.
Nós tivemos um acordo de quase 90% na reunião de
líderes, ainda há 10% dos líderes que não concordam com a votação do marco
civil, mas eu diria que estamos muito próximos de um acordo para votação. Já
avançou muito, já há acordo com o PMDB, com o PSDB, com o PT, com o governo”,
disse Maia.
Mais discussão
O deputado Ricardo Izar (PSD-SP) integrou a comissão
especial que analisou o projeto. Ele criticou o fato de a proposta ter sido
levada ao Plenário antes de a comissão ter concluído seus trabalhos.
Para Izar, é necessária uma discussão mais ampla em
torno da proposta. Ele lembrou que a União Internacional das Telecomunicações
promove no início de dezembro, em Dubai, uma conferência sobre internet que
deve trazer novidades sobre o tema.
Neutralidade de rede
Izar discorda de vários aspectos do parecer do deputado
Alessandro Molon (PT-RJ), sendo o principal deles a regra para a neutralidade
da rede, ou seja, para a proibição de que provedores manipulem a velocidade do
tráfego de dados na internet.
Izar disse que a medida vai representar aumento de
custos para o consumidor, já que os provedores precisarão fazer investimentos
para ampliar a rede.
“Até 2020, os provedores terão que fazer um investimento
de R$ 250 bilhões. Eu não conheço nenhuma empresa boazinha. Ninguém vai colocar
R$ 250 bilhões para ter prejuízo. E isso vai ser repassado para quem? Para o
usuário final que paga R$ 9 ou R$ 10 para ter uma internet mensal, disse Izar.
O deputado sugere uma regra transitória até que os
investimentos em rede estejam concluídos e, aí sim, a neutralidade poderia ser
total.
Outro ponto polêmico do marco civil da internet é a
proibição da guarda dos registros de navegação, que mostra, por exemplo, por
quais sites o usuário da internet circulou. Provedores de conexão estariam
insatisfeitos com a proibição, mas o relator Alessandro Molon quer garantir a
privacidade do usuário.
Fonte: Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Nenhum comentário:
Postar um comentário