Juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública do DF ouviu novas revelações de Durval Barbosa na audiência de Instrução e Julgamento do processo que apura a participação do deputado distrital Aylton Gomes no esquema de pagamento de propina a parlamentares. A audiência aconteceu nesta terça-feira, 4/9, e além do réu Aylton Gomes, que responde à Ação de improbidade, foram ouvidas as testemunhas Durval Rodrigues Barbosa (delator do esquema) e Alexandre Cerqueira Braga, arrolado pelo réu.
O primeiro a depor foi Aylton Gomes que
negou todas as acusações e afirmou estar surpreso com as denúncias que o
incriminam. O
depoente contou que na época de seu primeiro mandato, em 2007, encontrava-se
filiado ao PMN e que atualmente está filiado ao PR. Que apoiou a candidatura de
Roberto Arruda a governador do DF, em 2006, e que fazia parte da base aliada do
Governo, passando depois a exercer o cargo de Administrador de Planaltina/DF.
Segundo ele, no início de 2007, rompeu
relações com o governador durante solenidade de posse dos comandantes da
Polícia Militar, ocasião em que foi destratado e constrangido por Arruda. A
melhora do relacionamento se deu com a intervenção do PMN e, depois da
reaproximação, ocorreu o convite para assumir o cargo de Administrador. Afirmou
que na época da votação do PDOT tinha voltado a exercer o mandato de deputado
por conta de promessas não cumpridas por Arruda em relação a investimentos e
preenchimentos de cargos na Região Administrativa de Planaltina.
Inquirido pelo magistrado sobre José
Geraldo e Omézio Pontes, Aylton Gomes afirmou que as relações entre eles eram
estritamente profissionais e que os encontros mantidos com ambos se limitavam
aos eventos relacionados ao GDF. Questionado pelo promotor sobre o método
utilizado pelo governador de incremento dos investimentos nas regiões
administrativas, o réu explicou que eram cedidas quotas de recursos financeiros
e, pelo que se lembra, a quota inicial para Planaltina foi de R$ 50 mil.
O segundo depoimento foi de Durval
Barbosa, que voltou a confirmar a existência do mensalão do DEM e a fazer
revelações sobre o esquema de propina. Segundo ele, os 19 deputados distritais
da base aliada do Governo, entre eles Aylton Gomes, receberam R$ 420 mil cada
para votar a favor do PDOT. Apesar de afirmar não conhecer pessoalmente o
deputado, disse ter certeza de que ele era também um dos agraciados com os
pagamentos mensais, pois seu nome constava da lista encontrada na casa de
Geraldo Maciel e também nas gravações feitas pela polícia.
Durval voltou a sustentar que não era o
único a fazer o pagamento das propinas e que existiam outros operadores do
esquema, entre eles Omézio Pontes e Geraldo Maciel. Revelou ainda que o convite
aos deputados para assumirem as administrações regionais fazia parte das
vantagens recebidas em troca de apoio político ao governo de Arruda.
O último depoente foi Alexandre Cerqueira
que presenciou a briga de Arruda e Aylton Gomes na solenidade da PM. A
testemunha confirmou a informação de Durval de que a distribuição dos cargos de
administradores a deputados da base aliada fazia parte da estratégia política
de Arruda. Citou como outro exemplo desse fato a Administração de Taguatinga,
concedida ao deputado Benedito Domingos. Segundo ele, além do cargo, o
administrador tinha promessa de investimentos nas respectivas regiões e podia
indicar nomes para o preenchimento de outros cargos regionais.
Ao final da audiência, o juiz deferiu por
solicitação das partes prazo comum de 30 dias para que sejam indicadas novas
diligências que acharem necessárias à elucidação das denúncias constantes da
ação.
Processo: 26887-0/2011
Fonte: Tribunal de Justiça do Distrito
Federal e dos Territórios
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