A
Polícia Militar de Mato Grosso suspendeu um curso de treinamento para a
Força Tática após denúncias de humilhações sofridas pelos
participantes. O alerta veio da Comissão de Direitos Humanos da OAB
(Ordem dos Advogados do Brasil) do Estado.
O curso, que começou há cerca de duas semanas, ocorria na base comunitária do Parque do Lago, em Várzea Grande (MT), cidade vizinha a Cuiabá.
Segundo
a comissão, os recrutas eram posicionados em fila e obrigados a
mastigar pedaços de carne, passando-os para os que estavam atrás deles. O
último da fila tinha de engolir o alimento.
Durante
o treinamento, os participantes também ficavam em uma sala fechada,
onde eram expostos a gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Eles também
sofriam agressões verbais.
A denúncia foi encaminhada por pais dos participantes.
Essa não é a primeira vez que ocorrem problemas em treinamentos no Estado.
Em
2010, um soldado da Força Nacional de Segurança morreu afogado em um
curso em Lago do Manso. A suspeita é que ele tenha sido submetido a
sessões de tortura. Doze anos antes, outros dois soldados morreram
durante um curso de policiamento em Cáceres.
A
tentativa é ver até onde vai a resistência em situações de estresse.
Mas isso não justifica essa atitude, afirma a presidente da comissão de
Direitos Humanos da OAB, Betsey Miranda.
Quem
aprende batendo vai exercer as coisas de que maneira? Batendo, é claro.
Eles iriam prestar um mau serviço à sociedade, afirma.
PEDE PRA SAIR
Ao
todo, 50 policiais militares se inscreveram para participar do
treinamento para ingressar na Força Tática. Desses, 16 desistiram ao
longo do curso, segundo a Polícia Militar. A corporação diz que as
desistências estão dentro do padrão esperado.
Em
nota, a PM afirma que vai investigar a ocorrência de supostos abusos
durante o treinamento. A polícia diz que todas as atividades são
gravadas e conduzidas por instrutores especialistas e devidamente
preparados e que os militares inscritos recebem capacitação dentro das
doutrinas operacionais.
De
acordo com a PM, o treinamento tinha como objetivo capacitar os
oficiais para combate ao tráfico de drogas e de quadrilhas. Não há
estimativa de quando o curso será retomado.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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