O Ministério Público do Paraná deflagrou ontem (14) operação com o objetivo de desarticular quadrilha acusada de fraudar os cofres estaduais em cerca de R$ 113 milhões - valor relativo a ICMS não recolhido - e de desviar mais R$ 40 milhões em tributos federais, além de falsificar documentos. De acordo com a investigação que a Promotoria de Justiça de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária da capital vem fazendo há mais de dois anos, o núcleo central da quadrilha estaria na Região Metropolitana de Curitiba e seria formado por empresários, familiares e contadores. Estariam envolvidas nas fraudes tributárias 79 empresas do segmento gráfico e 212 pessoas, no Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro.
Por determinação do
Juízo da Vara de Inquéritos de Curitiba, na denominada “Operação Papel” foram
cumpridos 12 mandados judiciais de prisão (temporária), sendo 11 no Paraná e um em Santa Catarina ,
e 101 mandados de busca e apreensão em empresas, escritórios de contabilidade e
residências, nos quatro estados. Também estão sendo feitas notificações para
que 70 pessoas, na sua maioria “laranjas”, sejam ouvidas pelo Ministério
Público, sendo 61 no Paraná e as demais nos outros estados.
Dos presos, três
foram detidos por porte ilegal de arma, sendo que um deles também tinha a
temporária decretada. Também foi apreendido vasto material, sobretudo
documentos e computadores.
A operação envolve,
pelo MP-PR, a Promotoria de Justiça de Combate aos Crimes Contra a Ordem
Tributária de Curitiba, as Promotorias de Justiça de Francisco Beltrão e
Morretes, e os Grupos de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado de
Curitiba e Londrina; além da Secretaria de Estado de Segurança Pública do
Paraná, através das Polícias Militar e Civil; a Receita Federal e a Receita
Estadual; e os Ministérios Públicos de Santa Catarina, São Paulo e Rio de
Janeiro, por meio dos respectivos GAECOs.
Só no Paraná
participam da operação 300 policiais militares, além de auditores da Receita
Estadual e da Receita Federal.
Esquema - De acordo
com o que foi apurado nas investigações, a quadrilha constituía,
sucessivamente, empresas na área gráfica em nome de “laranjas”, mediante
falsificação na elaboração dos contratos, administrava através de procurações,
não pagava os tributos devidos e depois as fechava. Os débitos não podiam ser
executados pelo Estado, porque os sócios formais - “laranjas” - não tinham
condição de quitar as dívidas.
“De um lado, necessário
destacar que o êxito da Operação Papel está totalmente vinculado ao trabalho
integrado dos órgãos estatais incumbidos do combate a este tipo de
criminalidade: a Receita Federal, a Receita Estadual, a Polícia Militar e
Civil, além dos Gaecos dos Ministérios Públicos de Santa Catarina, São Paulo e
Rio de Janeiro”, afirmou o procurador-geral de Justiça do Paraná, Olympio de Sá
Sotto Maior Neto. “Por outro lado, indispensável registrar que a criminalidade
econômica financeira, especialmente os crimes contra a ordem tributária, faz
sangrar os cofres públicos, sonegando e desviando exatamente aqueles recursos
que faltam, depois, à implementação de políticas sociais, como saúde, educação,
habitação, etc”, ressaltou.
O promotor de Justiça
José Geraldo Gonçalves, da Promotoria de Justiça de Combate aos Crimes Contra a
Ordem Tributária de Curitiba, também pontuou a importância do trabalho
integrado entre as instituições para a obtenção de um bom resultado. “Foi um
trabalho muito complexo, que exigiu a soma de esforços”, disse, ressaltando que
o grupo atuava desde a década de 90 e que o valor estimado de R$ 113 milhões em
impostos estaduais não recolhidos é apenas o montante passível de recuperação,
referente aos últimos cinco anos.
Fonte: Ministério
Público do Paraná
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