Na semana passada, o olhar atento dos funcionários do
Cartório do Primeiro Ofício de Barra do Garças (509km a leste de Cuiabá)
resultou na prisão de dois homens que tentavam, com o uso de documentos falsos,
cometer crime contra o sistema financeiro.
Segundo Adalberto
Teixeira da Silva, oficial registrador do cartório desde 18 de setembro, na
semana passada, ao perceber a tentativa de fraude, ele entrou em contato com a
Polícia Civil, que acabou prendendo em flagrante os réus Divino Marra da Silva
e Renato Alves de Oliveira Júnior, por uso de documentos falsos e estelionato.
Eles tentaram fazer o
registro de uma alienação fiduciária cuja garantia era um imóvel de quase 10
mil hectares. Com o negócio eles receberiam da instituição bancária R$ 30
milhões. “Só faltava registrar a matrícula para o banco liberar o dinheiro, mas
as assinaturas não batiam”, explica Adalberto. Segundo ele, os acusados ainda
ofereceram propina a uma servidora para que ela ‘adiantasse o serviço’.
Após entrar em
contato com a Polícia Civil, o delegado Wiliney Santana pediu que o registrador
avisasse imediatamente quando os acusados voltassem ao cartório. Assim que
retornaram, a Polícia foi avisada e prendeu a dupla em flagrante. No entanto, um dos dois já pagou fiança e
está solto.
Outro detalhe desse
caso é que o suposto proprietário do imóvel em questão, uma fazenda, não é o
verdadeiro dono das terras. “Existe um registro ‘plantado’ na matrícula. Não
houve nenhuma alteração após o registro, mas foi incluído o nome de uma pessoa
por meio de uma escritura lavrada em Capão Grande. Essa escritura é falsa. Agora não sabemos
se essa pessoa foi enganada ou participou da fraude. Entrei em contato com os
reais proprietários, que moram no Paraná, e eles informaram que nunca venderam
essa terra”, destaca Adalberto.
Divino Marra da Silva
e Renato Alves de Oliveira Júnior já haviam sido presos em 2007 pela Polícia
Federal durante a Operação Lacraia, que visou desarticular uma quadrilha que
praticava fraudes cartorárias, grilagem de terras, crimes contra o sistema
financeiro e corrupção de servidores públicos.
Para evitar novas
fraudes, o registrador Adalberto Teixeira orienta a população a procurar o
cartório e buscar mais informações antes de concretizar qualquer negócio
imobiliário. “Procurem saber quem é o real proprietário”, alerta. Segundo ele,
todos os procedimentos realizados pelos funcionários também estão sendo
analisados mais detidamente. “O que não confere encaminhamos para o juiz Michel
Lotfi Rocha da Silva, juiz corregedor dos cartórios. Estamos buscando evitar
que novos casos como esse aconteçam”.
Fonte: Tribunal de
Justiça do Mato Grosso
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