Briga por pensão alimentícia dispara na ‘era
do divórcio’
Grande volume de processos faz com que sentenças demorem até oito meses
Ornela conta que o pedido pode ser feito por ex-marido ou ex-mulher, sem que ambos tenham tido filhos. Avós também podem ser intimados a pagar, e até os pais podem fazer o pedido aos filhos. É tudo analisado pelo juiz, que decide baseado em uma relação entre a necessidade de quem pede e a possibilidade de quem paga.
Já para que o pagamento cesse, quem paga precisa fazer o requerimento junto à Justiça. Ao contrário do que se imagina, em casos envolvendo menores de idade o pagamento não é encerrado quando este atinge a maioridade. Caso a parte pagante não faça o pedido pelo encerramento, a pensão continua sendo paga.
“A maioria das pessoas envolvidas tem menor poder aquisitivo e possui dificuldades de relacionamento entre si. O grande dilema da maioria dos casos envolve a dificuldade em comprovar renda, já que existe muito trabalho informal em Apucarana”, afirma Ornela Castanho.
Em regra, o custo da pensão é fixado em até um terço dos rendimentos de quem paga. “Esse é o valor médio que uma pessoa gasta para manter um filho. Mas cada caso é analisado individualmente, respeitando as realidades social e financeira das partes envolvidas”, diz a juíza.
DEMORA
O grande número de processos acaba fazendo com que o andamento fique mais lento, levantando reclamações. “Estou há quase cinco meses sem pensão. Há quatro, fiz o pedido de cobrança para a Justiça, mas até agora nada”, afirma Maria (nome fictício), que teve duas filhas com o ex-marido.
As meninas, atualmente com 17 e 14 anos, precisaram mudar de colégio por conta da falta de pagamento. “Acabo firmando um compromisso e não posso mais cumprir por causa do não pagamento e a demora da Justiça acaba agravando a situação”, reclama a cozinheira.
A juíza Ornela Castanho reconhece que o trabalho poderia ser realizado com mais rapidez, mas lembra que a Vara de Família compartilha a estrutura com a Vara da Infância, que acaba recebendo prioridade. “O tempo para a marcação da primeira audiência é de até dois meses, em média. Nessa audiência, o juiz fixa um valor e tenta uma conciliação entre as partes. Cerca de 60% das ações termina aí”.
Caso não haja acordo, a Vara de Família precisa produzir provas que comprovem as rendas das partes. Por isso, alguns processos se estendem em média por oito meses. “O trabalho extra-processual é bastante grande. Por isso, o desmembramento da Vara de Família seria uma evolução importante”, conta a juíza.
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