terça-feira, 28 de maio de 2013

Paraíso? Aposentadoria pode causar depressão e problemas físicos

Paraíso? Aposentadoria pode causar depressão e problemas físicos
Ana Luiza Albuquerque

Foto: Divulgação
Mal pode esperar para se aposentar? Um estudo divulgado no dia 16 de maio pelo centro de pesquisas Institute of Economics Affairs (IEA), em Londres, afirmou que a aposentadoria provoca um declínio da saúde a médio e longo prazos. A chance de desenvolver depressão pode aumentar em 40% e a possibilidade do aparecimento de um problema físico é elevada para 60%.
SRZD entrevistou o Dr. Roberto Lourenço, chefe do setor de Geriatria do Hospital São Vicente de Paulo, no Rio de Janeiro, para entender melhor o assunto. O médico informa que a discussão não é nova e que os resultados do estudo já vêm sendo sugeridos há algum tempo. "A aposentadoria não deve ser o momento em que o indivíduo para de existir, de viver", ele aconselha.
Foto: Divulgação
Dr. Roberto, em seguida, explica o que é notado como consequência da maior parte das aposentadorias. "As pessoas adotam uma atitude mais passiva, de menos atividade física. Há, também, uma significativa perda de poder econômico", lista o geriatra. "O aposentado também perde prestígio, pois o trabalho te dá isso. Outra perda é a do círculo de relações de amizade que o trabalho traz. O aposentado acaba ficando mais restrito à família", continua ele.
Qual seria, então, a solução para aqueles que estão para se aposentar? "Uma série de empresas preparam para a aposentadoria. O sujeito tem que começar a pensar no que vai fazer quando se aposentar. Ele pode exercer outras atividades relacionadas ao antigo trabalho, praticar exercícios e esportes e não esquecer do lazer", indica o médico. "O envelhecimento em si já é um fator de risco. É importante neste momento cuidar da saúde", ele conclui.
Dr. Roberto, entretanto, faz uma ressalva: os estudos foram realizados a partir de dados que os pesquisadores recolheram da população europeia. "Não existe nenhum dado latino-americano. Não podemos aplicar à nossa realidade sem restrições", alerta o geriatra.

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