O presidente do Supremo Tribunal
Federal (STF), ministro Ayres Britto, recebeu hoje (2), em audiência,
integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a
violência contra as mulheres no Brasil. A presidente da Comissão, deputada Jô
Moraes (PC do B-MG), parabenizou o ministro pela recente decisão da Corte
acerca da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), quando se decidiu, por maioria
de votos, que o Ministério Público pode dar início à ação penal sem necessidade
de representação da vítima.
Segundo a deputada, em agosto será
votado um requerimento de prorrogação dos trabalhos da Comissão e será
apresentado um relatório preliminar, cuja cópia será entregue ao presidente
Ayres Britto em uma pequena solenidade. “Para nós, a parceria com o Supremo é
fundamental e tivemos a grata surpresa de saber, pelo ministro Ayres Britto,
que a Lei Maria Penha vai constar do próximo Pacto Republicano em razão de sua
relevância. Também sentimos a sensibilidade do presidente do STF quando ele
insistiu em que a questão cultural que envolve a violência contra a mulher deve
ser enfrentada com gestos mais importantes”, afirmou Jô Moraes.
Até o momento, já foram realizadas 18
audiências públicas em Brasília e em mais sete Estados, nas quais as
integrantes da Comissão ouvem representantes do Executivo, Judiciário,
Ministério Público, Defensoria Pública e associações de proteção às mulheres. A
deputada Jô Moraes afirmou que a Comissão tem percebido alguns avanços, mas
também certas debilidades. “No caso do Judiciário, estamos sentindo a
necessidade de reforçar o conteúdo da Lei Maria da Penha porque alguns juízes
ainda insistem na mediação como enfrentamento das agressões. Temos visto ainda
que, em certos tribunais, há uma precária estrutura de servidores e varas
especializadas no interior do estado”, afirmou a parlamentar.
A relatora da CPMI, senadora Ana Rita
(PT-ES), apresentou ao presidente do STF as conclusões da Comissão até o
momento, especialmente com relação à falta de Varas especializadas no atendimento
às mulheres que sofrem violência. As audiências públicas realizadas nos estados
têm nos dado muitas informações importantes, e entre elas está a fragilidade no
atendimento à violência contra a mulher por parte de varas especializadas. Por
isso, nós achamos por bem já trazer essas preocupações ao ministro Ayres
Britto, antes mesmo de apresentar o relatório final, para que ele possa tomar
conhecimento e tomar algumas providências”, afirmou a parlamentar.
A senadora considerou a interpretação
dada pelo STF à Lei Maria da Penha como um avanço. “Nós recebemos a decisão do
STF com muita alegria A decisão fortaleceu o nosso trabalho, fortaleceu a lei e
nos deu muito mais condições de cobrar dos Poderes estaduais o cumprimento da
lei”, disse a senadora ao final da audiência. Segundo o Mapa da Violência
elaborado pelo Instituto Sangari, o Espírito Santo ocupa o primeiro lugar no
País em número de homicídios em que as vítimas são mulheres - com 9,4
assassinatos para cada 100 mil mulheres. Em seguida vem Alagoas, com 8,3
homicídios por 100 mil mulheres, e Paraná, com 6,3.
Fonte: Supremo Tribunal Federal
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