O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) - Núcleo São José do Rio Preto e de promotores de Justiça da região de São José do Rio Preto, Araçatuba e Ribeirão Preto, em conjunto com a Corregedoria da Polícia Civil, e com o apoio da Polícia Militar, realizou, nesta quarta-feira (16), operação de cumprimento de 26 mandados de busca e apreensão nas cidades de São José do Rio Preto e Catanduva.
O objetivo das buscas foi reunir provas para
investigação desenvolvida desde 2009 sobre organização criminosa suspeita de
explorar jogos de azar, de corrupção policial e de lavagem de dinheiro.
Na investigação, iniciada no GAECO núcleo São José do
Rio Preto e que prosseguiu pela Corregedoria da Polícia Civil, foi mapeado o
jogo de azar e foram identificados os principais responsáveis pelo seu controle
na região de São José do Rio Preto.
Desde as 5 horas da manhã dessa quarta-feira, promotores
de Justiça, servidores do Ministério Público, delegados de Polícia da
Corregedoria, policiais civis da Corregedoria, oficiais e praças da Polícia
Militar, reuniram-se para separar as equipes responsáveis pelo cumprimento dos
mandados. Foram empregadas 25 viaturas, 5 motos, 51 policiais militares, 6
delegados de polícia, 14 investigadores e escrivães de polícia, 7 promotores de
Justiça e 7 servidores do Ministério Público, com o apoio de 25 viaturas e 5 motos.
Durante a operação, duas pessoas foram presas em
flagrante, uma por posse ilegal de arma de fogo e outra por tráfico de drogas.
Diversas máquinas de jogo e inúmeros materiais para fabrico de máquinas de jogo
foram apreendidos. Em uma residência localizada em condomínio de elevado padrão em São José do Rio Preto foi descoberto local que
estava sendo preparado para receber pessoas para a prática dos jogos de azar.
Entre as centenas de documentos apreendidos existem aparelhos celulares,
computadores, mídias, documentos escritos e peças de computadores.
As provas colhidas indicam que o esquema empregado pelos
“maquineiros”, como são chamados os responsáveis pela exploração do jogo de
azar por meio de máquinas, envolve diversas manobras para evitar a responsabilização
criminal: as máquinas são instaladas em imóveis por tempo reduzido, por um,
dois ou três dias apenas; os clientes são cooptados via telefonemas; os imóveis
escolhidos são de pouco acesso para a polícia, como casas em condomínios
fechados; e há declaração de que os “maquineiros” empregavam bloqueadores de
celulares para evitar que os clientes, enquanto no jogo, indicassem o local em
que estavam jogando. Também há indícios de pagamentos rotineiros a policiais
civis para evitarem abordagens policiais ou para dar aos “maquineiros” acesso
prévio a informações privilegiadas que lhes permitiriam esconder os materiais
ilícitos antes das operações policiais.
A Corregedoria da Polícia Civil, o GAECO e a Promotoria
de Justiça Natural continuarão com a investigação com a análise de todo o
material apreendido e a oitiva de dezenas de pessoas.
Caso comprovadas as práticas ilícitas por policiais,
eles poderão ser responsabilizados criminalmente pelos delitos de corrupção
passiva, formação de quadrilha e com a perda do cargo.
Os promotores de Justiça não se pronunciarão sobre a
operação e não divulgarão os nomes dos envolvidos.
Fonte: Ministério Público de São Paulo
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