Operação policial no Caso Sanasa atingiu em cheio núcleo de poder da Prefeitura
20/05/2012 - 07h56 . Atualizada em 20/05/2012 - 08h35
| Milene Moreto | DA AGÊNCIA ANHANGUERA | ||
Viaturas e homens da Rota, que vieram da Capital, ocupam a Avenida Francisco Glicério no 1º dia da operação que mudou os rumos da cidade
(Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN)
(Foto: Carlos Sousa Ramos/AAN)
Na manhã do dia 31 de outubro de 2004, o então deputado federal Hélio de Oliveira Santos (PDT) aguardava com ansiedade o resultado das urnas. Comeu um sonho — seu doce predileto — na padaria Adélia, na região do Campo Grande, e aproveitou para ganhar o eleitor na última hora. Não era o favorito, nem o mais popular. Naquela mesma noite, com uma diferença de 25 mil votos, derrotou o também deputado federal Carlos Sampaio (PSDB). Hélio, o azarão, estava eleito para governar Campinas e aproveitou o momento para fazer promessas.
Ao longo do seu primeiro mandato, se tornou um governante populista como poucos e consolidou sua relação de proximidade com o governo federal. Era visto como o “amigo do Lula”. Trouxe investimentos, colocou Campinas no foco. A cidade foi uma das que mais receberam dinheiro do governo federal no período. Em 2008, com uma grande margem de diferença para o segundo colocado, Jonas Donizette (PSB), ele se reelegeu ainda na primeiro turno e fortaleceu seu nome no cenário da disputa pelo cargo de governador do Estado de São Paulo. Tudo parecia ir muito bem.
Mas no dia 20 de maio de 2011 os sonhos de Hélio começaram a desabar. O prefeito viu sua mulher, a ex-primeira-dama Rosely Nassim Jorge Santos, e parte de seu núcleo de poder serem envolvidos no maior escândalo político já visto em Campinas. Rosely, que era uma voz forte no governo, foi apontada como líder de um esquema acusado de fraudar licitações públicas. Hélio perdeu seu mandato. Deixou a Prefeitura sem sequer dizer uma palavra à população. E se mantém calado até hoje. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), assumiu a vaga, mas também foi cassado.
As sucessivas trocas causaram uma instabilidade política sem precedentes. O Município praticamente parou. No balanço de um ano, quem saiu perdendo foi a cidade. Investimentos foram congelados, obras pararam, convênios venceram sem previsão de renovação. Setores como Saúde e Educação amargam graves crises. O que sobrou foi o desejo da população em ver uma Prefeitura atuante e honesta.
A crise mostrou que de alguma forma os mecanismos de controle da corrupção funcionam, ainda que não da forma ideal. Esta é a opinião do professor de Ciências Políticas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa. “Se todo mundo fosse corrupto, casos de corrupção não seriam revelados. O que vimos aqui é que existe uma forma de fazer esse controle. Existem órgãos atentos, com participação imprescindível no combate ao desvio de dinheiro público.”
A ação
Há exatamente um ano, ainda na madrugada, os servidores estavam em greve e começavam a chegar no Paço.
Antes do relógio marcar 6h, as portas dos elevadores se abriram e a presença de dezenas de policiais mostrou que o prédio tinha sido ocupado. Promotores e delegados caçavam documentos, vasculhavam gavetas e computadores. Uma lista nas mãos dos policiais indicava quem havia sido preso e quem estava foragido. Nas primeiras horas do dia em que o Caso Sanasa tomou conta dos noticiários, integrantes do núcleo forte do governo Hélio foram detidos. Rosely era responsabilizada por liderar o maior esquema de corrupção já visto em Campinas. Ela era tida por colegas como pessoa de personalidade forte, autoritária, enérgica e capaz de influenciar as decisões do marido. Estava sempre ao lado dele, antes mesmo de o pedetista se tornar prefeito.
Da sua vida pessoal, pouco se sabia. Pessoas próximas dizem que Rosely tinha gosto refinado para roupas e fazia compras no Exterior. Era ciumenta. Chamava Hélio de “pai”. Com o escândalo, Hélio foi cassado pela Câmara. O homem que tinha o Legislativo “nas mãos” com sólida base governista viu ruir seu mandato. O pedetista ainda tentou convencer parlamentares. Depois, se afastou. Em raras aparições, se mostrou abatido, com olheiras e unhas roídas. Saiu sem emitir uma única nota. Até hoje seu paradeiro é um mistério. E a cidade ainda luta para se recuperar.
Ao longo do seu primeiro mandato, se tornou um governante populista como poucos e consolidou sua relação de proximidade com o governo federal. Era visto como o “amigo do Lula”. Trouxe investimentos, colocou Campinas no foco. A cidade foi uma das que mais receberam dinheiro do governo federal no período. Em 2008, com uma grande margem de diferença para o segundo colocado, Jonas Donizette (PSB), ele se reelegeu ainda na primeiro turno e fortaleceu seu nome no cenário da disputa pelo cargo de governador do Estado de São Paulo. Tudo parecia ir muito bem.
Mas no dia 20 de maio de 2011 os sonhos de Hélio começaram a desabar. O prefeito viu sua mulher, a ex-primeira-dama Rosely Nassim Jorge Santos, e parte de seu núcleo de poder serem envolvidos no maior escândalo político já visto em Campinas. Rosely, que era uma voz forte no governo, foi apontada como líder de um esquema acusado de fraudar licitações públicas. Hélio perdeu seu mandato. Deixou a Prefeitura sem sequer dizer uma palavra à população. E se mantém calado até hoje. O vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), assumiu a vaga, mas também foi cassado.
As sucessivas trocas causaram uma instabilidade política sem precedentes. O Município praticamente parou. No balanço de um ano, quem saiu perdendo foi a cidade. Investimentos foram congelados, obras pararam, convênios venceram sem previsão de renovação. Setores como Saúde e Educação amargam graves crises. O que sobrou foi o desejo da população em ver uma Prefeitura atuante e honesta.
A crise mostrou que de alguma forma os mecanismos de controle da corrupção funcionam, ainda que não da forma ideal. Esta é a opinião do professor de Ciências Políticas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Valeriano Costa. “Se todo mundo fosse corrupto, casos de corrupção não seriam revelados. O que vimos aqui é que existe uma forma de fazer esse controle. Existem órgãos atentos, com participação imprescindível no combate ao desvio de dinheiro público.”
A ação
Há exatamente um ano, ainda na madrugada, os servidores estavam em greve e começavam a chegar no Paço.
Antes do relógio marcar 6h, as portas dos elevadores se abriram e a presença de dezenas de policiais mostrou que o prédio tinha sido ocupado. Promotores e delegados caçavam documentos, vasculhavam gavetas e computadores. Uma lista nas mãos dos policiais indicava quem havia sido preso e quem estava foragido. Nas primeiras horas do dia em que o Caso Sanasa tomou conta dos noticiários, integrantes do núcleo forte do governo Hélio foram detidos. Rosely era responsabilizada por liderar o maior esquema de corrupção já visto em Campinas. Ela era tida por colegas como pessoa de personalidade forte, autoritária, enérgica e capaz de influenciar as decisões do marido. Estava sempre ao lado dele, antes mesmo de o pedetista se tornar prefeito.
Da sua vida pessoal, pouco se sabia. Pessoas próximas dizem que Rosely tinha gosto refinado para roupas e fazia compras no Exterior. Era ciumenta. Chamava Hélio de “pai”. Com o escândalo, Hélio foi cassado pela Câmara. O homem que tinha o Legislativo “nas mãos” com sólida base governista viu ruir seu mandato. O pedetista ainda tentou convencer parlamentares. Depois, se afastou. Em raras aparições, se mostrou abatido, com olheiras e unhas roídas. Saiu sem emitir uma única nota. Até hoje seu paradeiro é um mistério. E a cidade ainda luta para se recuperar.
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