Não cabe a fixação de honorários advocatícios no cumprimento de sentença quando esta se encontra ainda na fase de execução provisória. Esse foi o entendimento adotado pelo ministro Luis Felipe Salomão em recurso interposto por associação hospitalar do Rio Grande do Sul contra julgado que permitiu o arbitramento de honorários.
No recurso ao STJ, a defesa da associação reconheceu que
os honorários podem ser cobrados na fase de cumprimento de sentença.
Entretanto, sustentou, o momento processual não seria adequado, pois ainda
havia recursos pendentes na ação.
O ministro Luis Felipe Salomão afirmou que o tratamento
dado à execução provisória deve ser diverso da execução definitiva. Para o
ministro, o artigo 475-O do Código de Processo Civil (CPC), que regula a
execução provisória, determina que as execuções terão tratamento igualitário
apenas no que couber.
Salomão também reconheceu a possibilidade da fixação dos
honorários advocatícios durante o cumprimento de sentença, conforme regra
introduzida pela Lei 11.232/05. “Não obstante, o que deve ser observado para a
definição do cabimento de honorários advocatícios é o princípio da
causalidade”, comentou.
Quem deve arcar com as verbas do advogado, lembrou o
ministro Salomão, é quem deu causa à ação. Já a execução provisória é de
iniciativa e responsabilidade do exequente e é ele que deve avaliar as
vantagens deste pedido, até porque pode responder por danos causados ao
executado.
“Aquele que experimenta a vantagem, permitida pela lei,
de adiantar-se na fase de execução, não pode, por isso, prejudicar em demasia o
devedor. Este, também por garantia legal, poderá aguardar o trâmite de todos os
seus recursos para então efetuar o pagamento”, disse o relator.
O ministro afirmou que, por haver recursos pendentes, “a
lide ainda é evitável e a ‘causalidade’ para instauração do procedimento
provisório deve recair sobre o exequente”. Se o devedor se adiantasse e pagasse
o débito, seria afastada a incidência dos honorários e da multa de 10% prevista
no artigo 475-J do CPC.
O magistrado ressaltou que, se a execução provisória se
tornar definitiva, nada impede que os honorários sejam arbitrados. Ele
acrescentou que a Corte Especial do STJ já estabeleceu que não se aplica a
multa do artigo 475-J durante a execução provisória, o que reforça a
impossibilidade dos honorários nessa fase. A Quarta Turma acompanhou o relator
de forma unânime.
Processo relacionado: REsp 1252470
Fonte: Superior Tribunal de Justiça
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