Pelotas: operação Efeito Dominó resulta no
recolhimento de R$ 46,1 milhões aos cofres municipais
A 6ª Delegacia da Receita Estadual e
as Promotorias Especializada no Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária da
Capital e a de Pelotas, do Ministério Público Estadual, se reuniram em Pelotas
para realizar um balanço da fiscalização no varejo de vestuário da cidade, cuja
face mais visível foi a Operação Efeito Dominó, deflagrada há um ano, em 12 de
dezembro de 2012.
A Operação Efeito Dominó mobilizou
mais de 80 Agentes Fiscais do Tesouro do Estado, apoiados por oito Turmas
Volantes, compostas de Técnicos do Tesouro do Estado e policiais militares do
Batalhão de Polícia Fazendária. O Ministério Público reuniu um efetivo de 20
servidores entre Promotores de Justiça, policiais civis e militares do Grupo de
Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Nessa operação, foram
fiscalizadas empresas que utilizavam um software que permite a emissão de
falsos cupons fiscais a partir de equipamento não autorizado pelo Fisco e a
contabilização paralela das vendas, criando-se o conhecido “caixa 2”.
Na época, o Chefe da Divisão de
Fiscalização e Cobrança da Receita Estadual, Paulo Amando Cestari, declarou que
“o programa fraudulento desenvolvido permite aos administradores manter
controle absoluto sobre as operações da empresa e, de forma automática, separar
a movimentação tributada da sonegada. Ao mesmo tempo, pelas suas
características, o sistema não permite que operadores de caixa e outros
funcionários da empresa percebam que estão participando de uma fraude fiscal, o
que reduz o risco de denúncia pela prática do ilícito tributário”.
Além da fraude relacionada a esse
software malicioso, durante a fiscalização no setor, foram identificadas
empresas que utilizavam impressoras não autorizadas e empresas que não
declaravam parte das vendas registradas nos Emissores de Cupom Fiscal - ECF.
Para tanto, o Poder Judiciário de Pelotas autorizou o cumprimento de 10
mandados de busca e apreensão e deferiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal,
restando apreendidos documentos e informações dos sistemas de informática que,
segundo o Promotor de Justiça Aureo Gil Braga, consistem na materialidade
inerente aos crimes fiscais perpetrados e aos processos criminais a serem
ajuizados.
RESULTADOS
Em sete estabelecimentos fiscalizados
foram identificadas vendas não declaradas no valor de R$ 168,5 milhões, o que
ensejou a cobrança de R$ 67,8 milhões entre impostos e multas. Desses valores
já foram liquidados pelo pagamento 30,4 milhões e parcelados outros 15,8
milhões.
VENDAS NÃO DECLARADAS R$
168.510.760,35
IMPOSTOS + MULTA R$
67.889.014,29
LIQUIDADOS PELO
PAGAMENTO R$ 30.457.590,81
PARCELADO R$
15.886.734,14
AUMENTO DA
ARRECADAÇÃO 68,9%
* Dados de 7 estabelecimentos
fiscalizados.
Além do efeito direto na arrecadação
a ação produziu efeitos indiretos, pois as empresas fiscalizadas recolheram, em
2013, 70% a mais de ICMS em relação ao mesmo período do ano anterior. O ICMS
representa mais de 80% da Receita Tributária do Estado e 25% desta arrecadação
é retornada diretamente aos municípios. Para se ter uma ideia da importância
desse imposto na arrecadação municipal, em 2012, o retorno do ICMS representou
mais de R$ 70 milhões no Orçamento de Pelotas. Esta ação da Receita Estadual no
combate à sonegação no varejo de Pelotas possibilitará ao Município a
recuperação de milhões de reais, pois o montante do “retorno do ICMS” é
calculado, principalmente, com base no Valor Adicionado, o qual é afetado pelas
vendas não declaradas.
Os tributos são a principal fonte de
recursos para a Educação, Saúde e Segurança Pública. O combate à sonegação
exige o envolvimento de todos e só será plenamente efetivo com uma ampla
participação de toda a comunidade. O cidadão, que é quem de fato paga o
imposto, tem o direito e dever de exigir o documento fiscal nas suas compras.
Nesse sentido, foi implantado, recentemente, o Programa da Nota Fiscal Gaúcha,
que além de inibir a evasão fiscal, permite o direcionamento de recursos a
entidades assistenciais e educacionais escolhidas pelo cidadão, que concorre,
ainda, a sorteio de prêmios de até R$ 1 milhão (mais informações e
cadastramento no site www.nfg.gov.br ).
TECNOLOGIA E PARCERIA
A Administração Tributária Estadual
tem buscado o constante aprimoramento do seu quadro técnico e o desenvolvimento
de ferramentas avançadas de controle, como a NFE - Nota Fiscal Eletrônica e a
EFD - Escrita Fiscal Digital, que possibilitam um acompanhamento refinado e
cada vez mais automatizado das operações com mercadorias, possibilitando que se
identifique e combata as fraudes fiscais de forma cada vez mais imediata.
A Operação “Efeito Dominó” também
demonstrou a efetividade da integração entre os órgãos públicos. A colaboração
mútua para recuperar os impostos sonegados e combater crimes tributários vem se
fortalecendo ao longo dos anos e produzindo resultados significativos. A
participação do Ministério Público foi fundamental, desde a investigação e
deflagração da operação, continuando na fase da responsabilização criminal dos
envolvidos que não liquidaram ou parcelaram seus débitos.
Fonte: Ministério Público do Rio
Grande do Sul
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