A ministra Cármen Lúcia participa em Arequipa,
no Peru, da conferência internacional que discute durante dois dias “O acesso
individual à Justiça constitucional na América Latina”. Ela representa o
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, no
evento organizado pelo Tribunal Constitucional do Peru e pela Comissão de
Veneza. Na palestra que proferiu na manhã desta quinta-feira (30), a ministra
abordou o tema “Acesso à Jurisdição Constitucional no Brasil” e apresentou as
características do sistema jurídico brasileiro, bem como as inovações estão
transformando o STF, como a transmissão das sessões plenárias ao vivo por rádio
e TV, a adoção de mecanismos como a Repercussão Geral e a Súmula Vinculante, e
a realização de audiências públicas sobre grandes temas de relevância nacional.
Segundo
a ministra, nos últimos 25 anos o Brasil se transformou. Desde 5 de outubro de
1988, quando foi promulgada a Constituição Federal, o brasileiro incorporou um
sentimento constitucional, que pode ser explicado, em sua opinião, por dois
direitos introduzidos como garantias fundamentais do cidadão: o que prevê que a
lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito
(inciso XXXV do artigo 5º) e aquele que garante a todas as pessoas a razoável
duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação
(inciso LXXVIII do mesmo artigo, introduzido pela Reforma do Judiciário, por
meio da Emenda Constitucional nº 45, de 2004).
A
ministra afirmou que, em números, esse sentimento se constata nas milhões de
ações judiciais em tramitação, num País que tem 193 milhões de habitantes e
16.804 magistrados em atuação. “Esta situação faz com que o caso brasileiro
seja mesmo muito especial”, afirmou, acrescentando que todo brasileiro sabe que
tem direitos constitucionais e, entre eles, o direito a ter um juiz que o ouça.
Para uma plateia formada por magistrados de Tribunais e Cortes Constitucionais
de vários países, a ministra contou que a transmissão ao vivo das sessões
plenárias do STF ao longo dos últimos 10 anos faz com que o cidadão conheça
seus ministros e os trate com naturalidade e familiaridade. “O taxista me
conhece pelo nome e me trata com uma familiaridade que não é comum em outros
países. É que a TV Justiça nos leva à casa das pessoas e este acompanhamento
faz com que a cobrança da Justiça constitucional seja maior”, explicou.
A
ministra do STF explicou aos participantes da conferência como funcionam no
Brasil instrumentos como o Mandado de Injunção e o Habeas Data, por meio dos
quais os cidadãos buscam tornar efetivos os direitos constitucionalmente
assegurados. “Nossa atuação tem sido chamada de ‘ativismo judicial’, mas eu
diria que ela é apenas constitucionalmente comprometida”. A ministra lembrou
que há em tramitação no STF 65.511 processos e, graças aos institutos da
Repercussão Geral e da Súmula Vinculante, está sendo possível coibir processos
repetitivos. O processo judicial eletrônico e a nova Lei de Acesso à Informação
também foram pontos abordados na palestra da ministra Cármen Lúcia. A
participação de entidades interessadas em expor seus pontos de vista durante
julgamentos realizados pelo STF, na condição de Amigo da Corte (Amicus Curiae),
e a realização de audiências públicas nas quais a Corte brasileira ouve a
sociedade antes de decidir processos relevantes para a Nação também mereceram
destaque em sua intervenção.
Fonte:
Supremo Tribunal Federal
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