Programa premiado também
serve para a realização de audiências por videoconferência, que já superam em
número as presenciais
Metade dos presos das penitenciárias federais faz visitas
virtuais, conforme levantamento do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
Parceria entre o Depen e a Defensoria Pública da União (DPU), a iniciativa
permite que detidos nas quatro cadeias federais tenham contato com parentes,
cônjuges e amigos, mesmo que a distância, numa tentativa de manter vínculos
afetivos e facilitar a ressocialização.
O projeto também serve para a realização de audiências
judiciais por videoconferência, que já superam em número as audiências
presenciais. Em 2012, 232 presos de um total de 446 (52%) realizaram um total
de 870 visitas, mobilizando 2.215 familiares. A maior parte dos contatos ocorre em Campo Grande e Porto Velho. Estão recolhidos em
estabelecimentos federais de segurança máxima presos de alta periculosidade
para a segurança pública.
Durante a visita virtual, o preso permanece com algemas
nos tornozelos, acompanhado por um agente penitenciário - que não deve aparecer
nas imagens. Por questões de segurança e sigilo, o Depen não divulga a lista
dos presos no programa.
A parceria Depen/DPU funciona assim: após o Depen ter
comprado os aparelhos (58 equipamentos de videoconferência), a DPU usa a
infraestrutura montada nas 27 unidades espalhadas pelas capitais brasileiras.
As visitas ocorrem às sextas-feiras - no início da implementação, em maio de
2010, teve DPU que chegou a ceder até o espaço da cozinha para a realização dos
encontros, segundo o Estado apurou.
Para o diretor-geral do Depen, Augusto Rossini, a
premiação no 17.º Concurso Inovação na Gestão Pública Federal, na terça-feira,
em Brasília, é um reconhecimento de um projeto que respeita os direitos humanos.
Assegura o direito constitucional do preso de ter contato familiar e garante
pacificação na unidade prisional, comenta.
De acordo com assistentes sociais ouvidos pelo Estado,
as visitas virtuais fizeram os presos melhorarem de comportamento, por meio da
manutenção de vínculos familiares ou até mesmo pela restauração deles - há
casos de pais presos que não viam os filhos há anos.
A visita virtual também é uma forma de os parentes
evitarem os constrangimentos invasivos das revistas, quando decidem ir
pessoalmente aos presídios. Os presos vão voltar para a sociedade um dia ou
outro. Se a gente não fizer o melhor (por eles), com certeza o prejuízo final
será de toda a sociedade, diz a pedagoga Jocemara Rodrigues, que atua em
Catanduvas.
O projeto encontrou resistências inicialmente dos
próprios presos e dos diretores das penitenciárias, que temiam a eventual
transmissão de mensagens para o crime organizado. De acordo com o Depen, houve
dificuldades operacionais em algumas unidades da DPU, mas a contratação de uma
banda maior de transmissão de dados já foi providenciada.
O projeto da visita virtual humaniza o cumprimento da
pena. O deslocamento dos presos federais para Estados diversos dificulta o
contato com a família, avalia o defensor público-geral federal, Haman Córdova.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
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