Em julgamento recente, a 5ª Turma do TRT de Minas manifestou o entendimento de que fere o princípio constitucional da isonomia instituir Programa de Participação nos Resultados da empresa beneficiando apenas parte dos empregados e excluindo outros, de alguns setores específicos.
No processo em questão, a empresa de comércio de
produtos esportivos pretendia ver excluída da condenação a obrigação de pagar a
um gerente administrativo a verba relativa à participação no programa de
resultados, alegando que a parcela era destinada apenas aos gerentes de vendas,
vendedores e outros cargos da loja e atendimento assistido, já que o objetivo
era estimular as vendas e o atendimento ao cliente. De forma que o reclamante
não se enquadraria nas categorias citadas no PPR. Argumentou que esse critério
não representa violação ao princípio da isonomia, pois trata-se de verba
instituída por liberalidade da empresa, com respaldo nas normas coletivas.
Analisando o caso, a desembargadora relatora, Lucilde
DAjuda Lyra de Almeida, observou que a parcela PPR foi, de fato, instituída na
empresa com o objetivo de estimular e retribuir parte dos ganhos obtidos com
ênfase na qualidade total nas vendas, na preservação do patrimônio, no
atendimento ao cliente e no desempenho individual e da equipe da loja. No
entanto, pontuou, outros empregados também contribuem, efetivamente, para o
sucesso da empresa e, portanto, não poderiam ser excluídos do programa.
A conclusão da relatora foi de que fere, sim, o
princípio constitucional da isonomia, a instituição de pagamento do programa de
participação nos resultados da empresa que beneficia apenas parte dos
empregados, excluindo outros, que não atuam na área de vendas, mas que também
contribuem para a obtenção do lucro: Isto porque, a empresa é um todo, e cada
elemento que a compõe contribui para o sucesso do empreendimento, sendo certo
que apenas aqueles escolhidos, no regulamento da ré para recebimento do
benefício, não alcançariam o seu objetivo sem o indispensável suporte prestado
pelos outros empregados que compõem a retaguarda, frisou.
Observou ainda a desembargadora que o PPR da empresa não
foi instituído por norma coletiva e, portanto, não há ofensa ao art. 7º, XXVI,
da Constituição Federal. Acompanhando a relatora, a Turma manteve a condenação
da ré ao pagamento semestral da parcela ao gerente, por todo o período
trabalhado na empresa.
( 0000358-76.2012.5.03.0020 RO )
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região
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