O
senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) disse ao empresário Carlinhos
Cachoeira que o governo federal condicionou a nomeação de um ministro do
STF (Supremo Tribunal Federal) à absolvição de réus no processo do
mensalão, informa reportagem de Fernando Mello, Breno Costa e Leandro
Colon, publicada na Folha desta quinta-feira (a íntegra está disponível
para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha,
que edita a Folha).
A
conversa, que ocorreu em 23 de março de 2011 e foi obtida pela Folha,
foi gravada com autorização judicial pela Polícia Federal, na operação
que prendeu Cachoeira em fevereiro.
Demóstenes
disse a Cachoeira que um amigo que havia recusado a vaga no Supremo
dissera a ele que as condições do Planalto para aceitá-la eram votar
contra a aplicação da Lei da Ficha Limpa na eleição de 2010 e absolver
os denunciados pela Procuradoria da acusação de participar do mensalão.
O
Fux [ministro Luiz Fux] votou a favor da Ficha Limpa? Vai valer já a
partir de 2012?, perguntou Cachoeira a Demóstenes. O senador então
respondeu: Exatamente. Já estava cantada a pedra. Eu te contei, o amigo
meu recusou lá e as condições eram aquelas. Vai votar assim e vai votar
pela absolvição da turma do mensalão. Fux votou contra a aplicação da
Ficha Limpa nas eleições de 2010.
OUTRO LADO
O
Planalto informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se
pronunciaria a respeito do caso. O advogado Antônio Carlos de Almeida
Castro disse que Demóstenes não se lembra da conversa que, segundo a PF,
manteve com Cachoeira.
Fux
negou ter recebido qualquer tipo de orientação ou pedido do Palácio do
Planalto como condição para assumir a vaga no Supremo. Disse ainda que,
apesar da votação contra a validade da Lei da Ficha Limpa em 2010,
apoiou a constitucionalidade da lei para eleições futuras.
Fonte: Folha de São Paulo
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