São Paulo, 8 de março de 2012
Um
acordo de cooperação técnica firmado entre o Tribunal Regional Federal
da 3ª Região (TRF3) e a Secretaria de Administração Penitenciária do
Estado de São Paulo possibilita, desde novembro do ano passado, que
cidadãos em cumprimento de penas e medidas alternativas possam prestar
serviços nas dependências dos fóruns federais da Seção Judiciária em São
Paulo.
O objetivo do acordo, segundo o documento, é a conjugação
de esforços para fins de implantação e execução continuada do Programa
Integrado de Penas e Medidas Alternativas da Coordenadoria de
Reintegração Social e Cidadania, mediante a disponibilização de vagas na
Justiça Federal para prestadores deste tipo de pena.
Para a
execução do acordo, algumas obrigações devem ser seguidas pelas partes
envolvidas. No caso da Secretaria Penitenciária, é preciso ser
apresentada uma relação de beneficiários do Programa que tenham
compatibilidade com as atividades a serem exercidas, bem como o
acompanhamento da pena mediante apresentação de relatório técnico; já o
TRF3 e a Seção Judiciária de São Paulo devem indicar o profissional
responsável pela orientação e acompanhamento dos beneficiários,
encaminhar a frequência mensal à Secretaria Penitenciária e não
submetê-los a atividades insalubres ou perigosas.
As atividades
exercidas pelos beneficiários na Justiça Federal não são remuneradas e
não implicam em vínculo empregatício. O acordo de cooperação técnica não
envolve transferência de recursos entre os partícipes e tem validade de
12 meses, podendo ser prorrogado por iguais e sucessivos períodos até o
limite de 60 meses.
Mão de obra na Execução Fiscal
Em
fevereiro de 2012, seis beneficiários do Programa estavam atuando no
Fórum de Execuções Fiscais em São Paulo. Essa quantidade deve crescer
ainda mais. "Seguramente, esse número aumentará e num curto espaço de
tempo. Nossa intenção, além de divulgar a prática, é chegar a vinte
prestadores, número que reputamos ideal neste primeiro momento, até
mesmo para que sigamos firmes no controle da qualidade dos trabalhos,
até então incensurável", disse o coordenador do Fórum, juiz federal
Paulo César Conrado.
Um dos idealizadores do projeto, Paulo
Conrado conta como tudo começou. "O projeto parte de um modelo proposto
pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), órgão ao qual
devemos creditar o mérito de tão valoroso trabalho. A coordenação
administrativa do Fórum de Execuções Fiscais teve oportunidade, no
início de tudo, de provocar a Administração Central (da Justiça Federal)
fazendo-o a partir de contatos iniciais estabelecidos com os
representantes da SAP, sempre com intensa participação do servidor
Ednilson Tavares Maciel, diretor de Apoio Administrativo deste Fórum".
Os
trabalhos realizados pelos beneficiários do Programa são desenvolvidos
basicamente em dois setores: distribuição e comunicações. As tarefas se
resumem na montagem de autos processuais, na movimentação física desse
material, na separação e classificação de cartas precatórias e
correspondências, na conferência de dados entre outras, tudo sob
supervisão de servidores que atuam nos referidos setores.
A
administração do Fórum de Execuções Fiscais começou a receber estas
pessoas em meados de dezembro/2011. "No acordo, a Central de Penas e
Medidas Alternativas (CPMA) do Estado de São Paulo realiza todo o
trabalho de triagem dos apenados, seguindo critérios previamente
definidos, e nos encaminha para entrevista e início das atividades (em
caso de aceitação). Vale ressaltar que não há nenhum custo para a
Justiça Federal como, por exemplo, vale-transporte, vale-refeição, ajuda
de custo etc. Hoje temos seis prestadores que realizam um trabalho de
qualidade muito boa", ressaltou Ednilson Maciel.
"Em princípio, a
parceria representava a oportunidade de conhecermos e apoiarmos o
trabalho desenvolvido pela Secretaria Penitenciária. Hoje, no convívio
com os prestadores, percebo que não estamos apenas abrindo um canal de
oportunidades, mas sim sendo efetivamente ajudados, e muito, à medida
que o fluxo dos trabalhos nos setores que vêm recebendo esse ?apoio
extra? se intensificou", finalizou o juiz. (RAN)
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