O Senado aprovou ontem um projeto que favorece os aposentados que continuam na ativa. Pela proposta, eles não precisariam mais pagar a Previdência.
Como ficariam as contas da Previdência? Com um rombo ainda maior do que o que já tem hoje, de R$ 47 bilhões.
Pelo projeto que ainda tem que ser votado na câmara, as contribuições
recolhidas desde 1995 ainda seriam devolvidas. Imagine o impacto de uma
conta dessas em um país que já gasta demais com Previdência. Só em
pagamento de pensão por morte, o Brasil é líder mundial.
Há dois anos a fisioterapeuta Juliana Sarmento ficou viúva. Ela recebe pensão por morte do marido.“Na época eu não tive condições de trabalhar. Tive que parar com tudo. Foi o que me deu base para conseguir hoje estar com a minha vida mais estável”, comenta Juliana Sarmento.
Todo segurado da Previdência deixa pensão aos dependentes quando morre. O marido ou a mulher, jovem ou não, vai receber a pensão por morte pelo resto da vida. Diferente do que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, onde só ganha pensão por morte quem tem mais de 60 anos. No Brasil, é permitido acumular aposentadoria e pensão por morte. Nos Estados Unidos, não. É preciso escolher: um ou outro.
Essas diferenças têm um preço alto. Hoje, 12% de todas as riquezas produzidas no Brasil vão para o pagamento de aposentadorias e pensões.
“É uma conta muito elevada para um país que ainda é muito novo. Daqui a 30 ou 40 anos, quando a gente tiver uma população bem mais envelhecida, imagina como é que não vai estar o tamanho desse gasto. O que isso significa? Que você vai ter que cobrar muito mais imposto para sustentar esse gasto ou começar a sacrificar gastos em várias outras áreas como infraestrutura, urbanismo, saneamento, educação, saúde para poder sustentar esse gasto previdenciário”, explica o pesquisador do Ipea Marcelo Caetano.
Só no ano passado foram 380 mil novas pensões por morte. Para o economista José Matias Pereira, as regras têm que mudar já: “O sistema brasileiro é preocupante porque é um sistema sem controle, sem trava, onde se pode tudo. O próximo governante que assumir em 1º de janeiro de 2011 vai ter que já levar isso para o Congresso, porque é uma discussão extremamente complexa, polêmica e que exige esforço e sacrifício para se encontrar saída e solução para o problema de forma permanente”, diz o economista José Matias Pereira.
Mas o atual governo já tem outro problema enorme para resolver: o reajuste dos aposentados que ganham acima de um salário-mínimo. O ministro Guido Mantega disse que vai pedir ao presidente Lula que vete qualquer aumento acima de 6,14%. Só que até os líderes dos partidos aliados falam em reajuste de 7,7%. Ano de eleição, todo mundo fica bonzinho.
Fonte: Jornal Floripa
FONTE:
http://apensaoalimenticia.com.br/blog/brasil-e-lider-mundial-em-pagamento-de-pensao-por-morte-154/
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