A Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES) aumentou para R$ 50 mil a indenização por danos morais a uma auxiliar administrativa da transportadora Colatinense demitida por namorar um gerente de vendas da empresa. O acórdão do TRT-ES, publicado nesta segunda-feira (28/01), reformou a sentença da juíza titular da 1ª Vara do Trabalho de Vitória, Lucy de Fátima Cruz Lago, que havia concedido indenização de R$ 20 mil.
A funcionária foi demitida pelo gerente administrativo,
superior hierárquico da transportadora, uma semana após a descoberta do
relacionamento amoroso e um mês depois de ter sido promovida para a função de
auxiliar administrativa. De acordo com os autos, a auxiliar e o gerente
mantiveram relacionamento íntimo por cerca de um ano e ainda, segundo
testemunhas, ambos zelavam pela discrição, além de “em nada interferir no
trabalho”.
A empresa alegou no processo que a demissão ocorreu por motivo
de corte de pessoal. Porém, para o relator do caso, desembargador Claudio
Armando Couce de Menezes, essa alegação não foi comprovada nos autos. “Se a
reclamada queria realizar ‘corte de pessoal’ por que promover a reclamante para
um mês após demiti-la? Pelas declarações colhidas, é evidente que a dispensa
decorreu de tratamento discriminatório”, destacou o relator.
O TRT-ES entendeu que a demissão da funcionária foi
arbitrária, discriminatória e imoral e que a empresa extrapolou o regular
exercício de poder diretivo. Ficou comprovado no processo que não existia na
transportadora nenhuma regra interna proibitiva de relacionamento entre dois
empregados. Além disso, não havia entre eles relação de hierarquia. Os dois
sequer trabalhavam no mesmo setor e o relacionamento se manteve fora da
empresa, não gerando nenhuma lesão à imagem do empregador.
Ainda de acordo com os autos do processo, foi comprovado
o abalo moral da reclamante, exposta a uma situação vexaminosa, bem como a ação
dolosa da ré, à qual se impõe o dever de indenizar. “Assim sendo, considerando
a capacidade econômica da ré e o sofrimento moral descrito pela reclamante,
julgo razoável majorar o valor da indenização para R$ 50 mil reais”, concluiu o
relator.
Processo - 0041100-16.2012.5.17.0001
Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região
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